28.12.06

Reflexões a partir de comentários...

Dois comentários aqui deixados, por blogueiros que muito admiro, sobre o poema postado ontem, fizeram-me pensar sobre as palavras, afinal, tema deste blog.




As palavras têm beleza (mesmo as que parecem não tê-la), singularidades, sentidos secretos sob a face aparentemente neutra, como bem o diz Drumond.
O que me fez lembrar que as palavras só tem sentido na vida, na vida de cada um.
Como escreve Sylvio Roque de Guimarães Horta (Mestre e doutorando em Filosofia da Educação da Faculdade de Educação da USP):

"A palavra é, assim, abstração de realidade muito mais complexa - não as frases, sentenças, parágrafos, contextos escritos ou falados, mas realidade que se confunde com as coisas, pensamentos, sentimentos, humores. A palavra faz parte de toda uma experiência, postura, sabor de vida. E grande dificuldade nossa é, justamente, analisar esse enorme emaranhado de sentidos em que ela habita".

Sobre o assunto escreve Ortega y Gasset:

" ... se tomarmos apenas o vocábulo e como tal vocábulo - amor, triângulo - ele não tem propriamente significação, pois dele só tem um fragmento.
E se ao invés de tomar a palavra por si, a dizemos, então é quando se carrega de significação efetiva e completa.
Mas de onde vem para a palavra, para a linguagem, isso que lhe falta para cumprir a função que lhe é costume ser atribuída, isto é, a de significar, de ter sentido?
Certamente não lhe vem de outras palavras, não lhe vem de nada do que até agora se chamou linguagem e que é o que aparece dissecado no vocabulário e na gramática.
Mas sim, de fora dela, dos seres humanos que a utilizam, que a dizem em uma determinada situação.
Nesta situação, são os seres humanos que falam, com a precisa inflexão de voz com que pronunciam, com a cara que põem enquanto o fazem, com os gestos concomitantes, liberados ou retidos, quem propriamente 'dizem'.
As chamadas palavras são só um componente desse complexo de realidade e só são, efetivamente, palavras contanto que funcionem nesse complexo, inseparáveis dele".

Ortega y Gasset, J. O Homem e a Gente. Rio de Janeiro, Livro Ibero-Americano, 1960, p. 267-268.

O silêncio também faz parte das palavras, no sentido posto por Ortega?

Um comentário:

Vera Regina disse...

Não creio que o silêncio possa fazer parte das palavras. Se quando as dizemos é que elas tomam significado, o silêncio é o não dizer. Entao não tem uma significação verdadeira.