18.2.08

Todas as Cartas de Amor são Ridículas, escreve Álvaro de Campos

Não sei porque ao me deparar com essa poesia de Álvaro Campos, um dos heterônimos de Fernando Pessoa, acabei por me lembrar do trecho do livro do livro de Sting, também muito mal traduzido como Fora do Tom, em que ele comenta a inadequação da palavra amor para designar um sentimento complexo e tão cheio de matizes.
Escreve Álvaro de Campos, com muita ironia:

" Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor,
se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas."


(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)
Sei lá...preciso pensar melhor no porque de minha memória ter cruzado as duas coisas. Não creio que seja só pela palavra amor....

Um comentário:

Isa disse...

Não há como negar o fato do quanto somos ridículos quando declaramos um amor.
É porque, nessas horas, somos nós mesmos, sem máscaras. E o Ser Humano, com tanta confusão de pensamentos, é ridículo por natureza...
Adorei!

Abraços!!